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terça-feira, 9 de novembro de 2010

você é tão bonito. tão superiormente bonito. seu cabelo, sua voz, seus olhos, o formato da sua sobrancelha. você caminha e todo mundo olha.
você aparece no jornal e todo mundo suspira. você é um dos caras mais bonitos dessa cidade. e todo mundo concorda, até você.
ainda por cima tem bom gosto, fala macio, é educado, bem sucedido. você parece sensível, diz coisas bem bonitas, sabe abraçar.
quem te conhece, gosta. 
e, nessa cidade inteira, falam de você com brilho nos olhos.
e aí eu me pergunto: qual o seu problema, cara?
o que, aliás, é só uma droga de uma pergunta retórica, porque eu sei quais são os seus problemas.
e o maior problema de todos é que as coisas apodreceram por dentro mas, por fora, tudo continua lindo, intacto.
o tempo te corroendo e tua pele virando um invólucro bonito prum homem oco.
você sorri e faz promessas, fingindo se desculpar porque não ligou. mas na verdade você não liga(e nem vai ligar), porque você não dá a mínima pra ninguém.
você faz essa cara ingênua e pede pra eu resolver a sua vida, só pra me expulsar quando tudo tá dando certo.
e você expulsa mil lágrimas quando alguém tem a petulância de dizer que isso tudo é uma merda.
você é sujo. você é um típico leva e trás, mas, ao invés de palavras, você espalha mágoas e doenças sexualmente transmissíveis.
você usa o que o corpo alheio pode te dar. e, o que não dá, você rouba.
isso é tão triste.

você é tão bonito e ao mesmo tempo é pessoa mais feia dessa cidade.

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