acho que você não acreditaria no que me tornei. aquela inocência ainda existe, mas você se surpreenderia em ver o quanto cresci. acho um pouco psicopata essa coisa que tenho de nunca te esquecer. não de verdade. passei anos sem sequer lembrar da tua existência e agora tua lembrança vem e se aboleta em mim. revi uma foto em algum arquivo antigo. uma foto que não foi tirada por mim, mas eu gostaria que tivesse sido.
acho, beatriz, que você se assustaria em saber que ainda escrevo sobre ti. é um pouco psicopata? nunca te amei, mas lembro de ti com amor. é que, moça, eu tenho muita saudade. uma saudade adolescente das conversas sussurradas pelas pontas dos dedos nas madrugadas iluminadas pela luz do computador. lembro de adentrar a escola na manhã seguinte como um zumbi feito de sorriso e olheiras. lembro do teu curto fascínio por mim. ...quero dizer, eu lembro como você me tratou da última vez em que nos vimos. a brancura da tua pele e a tua frieza fizeram você parecer uma bonequinha de porcelana com olhos pintados de negro. foi terrível.
mas eu ia dizendo que você não acreditaria, e acabei perdendo o fio da meada. é nisso que você não acreditaria. eu perdi o fio da meada. não escrevo mais, não sofro por amor e o pior: mal gosto de poesia. me perdi, beatriz.
queria que você voltasse. para do seu pedestal fazer uma análise de tudo que eu sou. para ler as palavras na sua tela como se lesse a minha mão. para fazer o que você fazia tão bem. me humilhar, me provocar, me ignorar, me inspirar.
volta, beatriz. vem me lembrar como escrever.
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